Amizades que aplaudem as tuas vitórias? Essas ficam.

Amizades que aplaudem as tuas vitórias? Essas ficam.

As amizades que não vêm da infância.  Escolhas que duram e  que ninguém nos impõe. Relações que não precisam de história longa mas tem uma longa história.

 

As da infância são maravilhosas, claro. Activam memórias, cheiram a verão, têm o sabor das histórias que nos moldaram. Fazem parte da nossa biografia quase por decreto, como se fossem um item obrigatório no “kit inicial da vida”. Não as escolhemos, elas estavam lá, ponto. Dizem que é assim, mas eu só comecei a ter amizades verdadeiras na adolescência. Porquê? Não sei, e prefiro nem entrar por aí que vou abrir outro separador mental e já sinto a energia a baixar. Uma projectora tem de a gastar com o que realmente interessa. Foco!

Agora, as outras, as que chegam mais tarde, são outra conversa. Porque não há idade para se criar amizade. E há algo de fascinante nas que aparecem depois de tanta coisa vivida, depois de termos deixado várias versões nossas pelo caminho e nem sabemos quantas mais ainda vão chegar.

 

Essas relações têm um sabor diferente. Não vêm de um passado partilhado, vêm de uma escolha. Já não é porque calhou, porque estudámos juntos ou porque tínhamos horários parecidos ou os nossos pais eram amigos. É porque faz sentido.

 

E isso muda tudo.

 

Muda a forma como a relação se constrói, muda as expectativas, muda até o modo como nos mostramos. Há zero necessidade de impressionar, menos paciência para o que não encaixa, e ao mesmo tempo mais abertura para o que é genuíno. Essas amizades não precisam de longo histórico para serem profundas. Precisam de alinhamento, timing e daquela energia magnética que reconhece no outro algo familiar, mesmo sem décadas de história.

E talvez seja isso que mais me fascina: a naturalidade com que certas pessoas entram na minha vida e ocupam um lugar que teoricamente demoraria anos a construir. Sem esforço. Sem explicações. Sem necessidade de traduzir quem sou. Há uma compreensão mútua, limpa, quase telepática. Parece da vida toda, amo essa sensação. AMO! Falo muito mas não gosto de me explicar muito. Quero que me leiam. Faz sentido?

Estas amizades não vivem de obrigação. Não estão amarradas ao “sempre foi assim”. Não se mantêm por medo de perder, nem por lealdade cega ao passado. Existem porque continuam a fazer sentido no presente. E isso dá lhes uma leveza rara. Leveza, sim, mas não superficialidade. Pelo contrário: dá lhes densidade, dá lhes verdade. Porque ficar deixa de ser automático e passa a ser intencional.

E no meio de tanta relação que se arrasta por inércia, estas destacam se. São escolhas. Escolhas conscientes. E talvez por isso tenham tanto potencial para durar.

E porque é que estou a escrever isto hoje? Acaso? Claro que não. Nada é por acaso. Isso vocês já sabem. É porque…

Hoje é um dia especial. Vamos celebrar uma de nós, a meio da semana onde todas trabalhamos e temos obrigações. Porquê? Porque é uma escolha e escolhemos celebrar no dia e não quando der. E enquanto escrevo, veio me aquele pensamento que insiste em não me largar: se é verdade que tudo pára quando uma de nós precisa, é igualmente verdade que tudo pára quando há algo para celebrar.

 

E tenho aprendido que mais revelador do que quem está contigo nas dores, é quem fica inteiro nas conquistas. Quem vibra contigo quando cresces. Quem aplaude de coração aberto quando consegues.

 

Porque nem toda a gente sabe lidar com o sucesso dos outros. Dá muito trabalho. Exige muita segurança interna. E a verdade é que nem todos conseguem sentir felicidade genuína sem comparação, sem ruído, sem reservas. Já pensaram sobre isso? Quem fica verdadeiramente feliz com as vossas vitórias? Enumerem essas pessoas e não as deixem ir embora, essas é que são as verdadeiras amizades. Escolhe-as. Celebra-as.

É o que vou fazer de seguida.

Eli