Revelação

Revelação

Estou há duas semanas com um bloqueio criativo e, honestamente, não estou a lidar nada bem com isso.

 

Ando enervada, já passei pelo clássico “sou claramente a pessoa mais burra deste mundo” e sinto que falho todos os dias na estratégia que eu própria defini, o que, nesta cabeça xoné, é das piores falhas possíveis. Está dito.

Já fiz tudo o que “se deve fazer”: aceitar que não é o momento, não forçar, ir arejar, criar espaço mental, confiar no processo… até já pedi ajuda. Vejam bem o nível de desespero. Resultado? Zero. Nada. A criatividade decidiu tirar férias sem aviso prévio e, suspeito, vai voltar exatamente da mesma forma. O problema é não saber quando, o que é francamente irritante. Controladora?? Eu???

No meio deste drama interno, estou sentada na mesa cá de casa com dois computadores abertos lado a lado e faço a pergunta mais básica: “o que estás a fazer?”. Do outro lado vem a resposta, leve e espontânea: “estou a criar… estou super criativo e não consigo parar.” Olho e confirmo. Não para, não come, não ouve nada. Está noutro planeta.

 

É aí que percebo: não perdi criatividade nenhuma. Ela só mudou de morada. O Pedro está aqui ao lado, feliz, numa excitação criativa que já não lhe via há imenso tempo. Dá mesmo para sentir essa energia. Estava tão focada em mim que nem o via. 

 

A minha primeira reação foi altamente madura: “ok, então preciso de ver isso JÁ, porque se me andas a absorver a energia criativa, ao menos justifica”, pensei, não disse.

Depois vejo. E pronto… SENHHHHHHHOR. É impossível não ficar meio em choque, no bom sentido, quando vemos alguém finalmente pôr cá fora aquilo que anda a construir por dentro há tanto tempo. Aquilo não apareceu agora. Já existe nele há meses, talvez anos, só ainda não tinha encontrado a forma certa de sair.

E aqui confesso: enerva-me (um bocadinho… ou muito). Porque eu gostava de ter esta capacidade de esperar pelo momento certo em paz, sem dramatizar, sem achar que estou a falhar, sem esta pressa constante de querer que tudo aconteça quando eu decido. Mas não. Eu sou do tipo: “porque é que ainda não está pronto se eu já quero isto há dois dias?”

Depois tenho esta pessoa ao lado que simplesmente espera até fazer sentido. E quando faz, faz assim. Sem esforço aparente, mas com meses, ou anos, lá dentro. Convido-vos a seguirem a página chewie_ibc. O nome diz-vos alguma coisa? Está tudo ligado de uma forma arrepiante. Aliás, estou arrepiada enquanto escrevo….

No meio disto tudo, dois sentimentos estão ao berros aqui dentro:

ORGULHO & ADMIRAÇÃO.

 

Talvez fosse isto que eu precisava de lembrar. A criatividade não desaparece, transforma-se, muda de ritmo, troca-nos as voltas, mas não deixa de ser nossa. Às vezes está em pausa, outras está a acontecer mesmo ao nosso lado, só que noutra forma. E está tudo certo. No fim, não se trata de criar o tempo todo.

Trata-se de criar com verdade. E isso não se força. É identidade. E identidade não se perde, só se recalibra.

Mas, ainda assim, acho que é abuso desaparecer quando há tanto por fazer.

Eli.