Números que não entram em gráficos

Números que não entram em gráficos

O ano encerra e é obrigatório fazer análises, percentagens, gráficos, relatórios. Quantitativos. Qualitativos. Comparativos. De onde vimos para onde vamos e como vamos. Ainda não dá para viver só do SER, é precisa FAZER para TER. E sim, hoje vou falar de números. Mas só porque atrás de cada número há pessoas. Há escolhas. Há medo. Há coragem. Há caminho.

Antes dos números, obrigada. A quem acredita. A quem compra. A quem usa. A quem partilha. A quem lê. A quem volta. A quem fica. A quem chega.

Este ano crescemos 220% face a 2024.

Escrito assim parece uma coisa fria. Grande. Empresarial. Na prática, este número significa outra coisa. Significa que foi o ano em que acabámos com menos stock. O ano em que produzimos menos por impulso e mais por consciência. O ano em que muitas das mudanças deixaram de ser ideias bonitas e começaram, finalmente, a ter impacto real. Produzimos melhor. Com mais intenção. Com mais responsabilidade. E isso, para nós, é sustentabilidade a acontecer. Não em discurso. Em decisões.

Foi também o ano em que tivemos a maior variedade de Flex One de sempre. E, ao mesmo tempo, o ano em que conseguimos consumir mais artigo abandonado. Mais desperdício transformado. Mais matéria esquecida a ganhar novas vidas. E isto… isto deixa-me mesmo feliz.

Mas 2025 não foi só um ano de trabalho interno. Foi também um ano de validação externa. Foi o ano em que nos tornámos finalistas na categoria Inovação. O ano em que as nossas peças passaram a estar expostas em showrrooms das modices do denim.
O ano em que começaram a ser escolhidas para eventos que ditam história — e que ficam na história.

Aos poucos, a Meshmess começa a ter uma voz.
E mais bonito ainda: começa a ser ouvida.

No online — que continua a ser o nosso principal canal — crescemos em tudo. No tempo que passam connosco. Nas conversões. Na faturação. Na forma como o site deixou de ser apenas uma montra e começou a tornar-se um espaço.

As visitas cresceram 430% face ao histórico. Ainda longe de onde quero chegar. Muito longe. Mas finalmente num número que já não me encolhe. Um número que já me diz: estamos a construir.

E depois aconteceu uma coisa que eu não estava à espera. Desde que lancei o blog, o Just Like Eli, com pouco mais de um mês de vida, ele passou diretamente para o pódio do site. Está constantemente a disputar os primeiros lugares com as Flex One. Se o blog não existisse, já teríamos crescido mais de 302% em entradas. O blog trouxe ainda mais. Isto não é sobre tráfego. É sobre presença. É sobre tempo. É sobre pessoas que chegam e ficam para ler aquilo que eu escrevo. E isso… é mesmo, mesmo, mesmo muito fixolas.

Já não é novidade que tenho manifestado, cada vez mais, a vontade de sair das redes sociais enquanto casa principal. Não desaparecer. Mas deixar de morar num sítio onde já não me sinto em casa. Estamos a construir esse caminho. Um espaço nosso. Sem externos a decidir o alcance do que sentimos, ou quais são as temáticas que tem ou não mais engagment. Onde se pode falar de tudo. Onde a comunidade pode realmente estar. E onde eu, pessoalmente, posso existir de forma mais inteira. Não sei quanto tempo vai demorar. Mas sei que me deixa genuinamente feliz ver este novo espaço a nascer. A crescer. A receber-vos. A ganhar vida própria.

Curiosamente, este ano não me está a apetecer muito falar de “ano novo” nem de “manifestações”. Talvez porque sinta que o meu “ano novo” não está a começar mas a dar continuidade a algo  -  nunca me assumi bem acabada, aceitem-me - que começou oficialmente a 09.09.9. E está bem vivo. 

Foi também o ano em que começámos a desenvolver mais projetos à medida. Flex One personalizadas. Novas matérias primas. Exploração de novas possibilidade. Desafios criativos. E eu não fazia ideia da exigência real deste lado. Das decisões. Das responsabilidades. Das dores de cabeça. Das taquicardias. Mas foram alguns dos desafios mais transformadores do ano. E das maiores provas de confiança.

E deixo também um número que, para mim, vale mais do que muitos gráficos: Zero reclamações. Duas devoluções. Num ano inteiro. Em crescimento. Em mudança. Em experimentação.

Isto diz-me que não estamos só a crescer. Estamos a cuidar.

Obrigada a todos os parceiros. Sem vocês, isto não existia. E obrigada a vocês. Minhas Meshies. Meus Meshies  Sem vocês, isto não fazia sentido. Não é uma vida nova, mas pode ser uma nova sanidade mental. Pode ser… É dar continuidade ao que acreditamos. E ao propósito que me trouxe até aqui. E sempre que der, vamos tentando criar pequenas bolhas. De consciência. De criação. De humanidade. Para ver se o mundo melhora. Ou pelo menos, para não nos perdermos dentro dele.

Just like Eli

(imagem gerada por AI que não sabe escrever números, correctamente.)
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