Usa os saldos a teu favor | o meu método
Como é que eu compro nos saldos.
Sim, a 15 de janeiro ainda vais muito a tempo.
Perguntam-me isto todos os anos quando se aproxima a época:
“O que é que se compra em saldos?”
“O que são oportunidades?”
“Tu compras o quê nos saldos?”
“Como é que encontras sempre esses achados?”
Desde que tenho a meshmess e um maior contacto com a realidade têxtil, as minhas respostas têm alterado sobretudo na questão da quantidade. De resto, mantenho-me igual e vou partilhar porque conhecimento só serve quando circula, certo?
E a verdade é esta: não há grande segredo, tenho um processo, uma intenção. E, cada vez mais, uma consciência para qualidade em substituição de quantidade. Este ano comprei um sobretudo cinzento que não tinha nenhum e uma carteira XXL em camurça amarela que queria muito. E ainda tenho em mente algumas coisas como oportunidades para a próxima estação ou já para o próximo inverno.
Os saldos existem por uma razão e, se forem bem usados, podem ser uma ótima ferramenta. Há verdadeiros achados. E está no meu ADN um faro para a oportunidade, para o super-achado. É disso que falo quando digo “bons saldos”.
Então, o que é que eu faço e como faço?
Ao longo da estação vou adicionando aos favoritos dos sites o que gosto, ou faço prints e guardo numa pasta. Isto coloca logo um travão no fator etiqueta, altamente reforçado pelo meu orçamento para saldos. Há um plafond e, quando acaba… acabou. Estabelecer limites é, para mim, a primeira regra.
As primeiras compras são sempre o que faz mesmo falta: peças com durabilidade, matérias-primas de mais qualidade, um fitting mais intemporal. Peças que, fora de saldos, têm um valor mais pesado: um sobretudo, um par de botas ou sapatilhas, malhas de fibras naturais como a caxemira, uma boa carteira. Investimentos com moda. Na minha cabeça tem de existir sempre — vou repetir — na minha cabeça.
Cada cabeça sua sentença, okis?! Se calhar não vou procurar aquela carteira preta porque, na verdade, eu não aprecio carteiras pretas. Para mim, isso não é investimento. Para mim, volto a reforçar.
Depois, ali a meio (por estes dias), começo a olhar para peças mais trendy. Coisas que não vou usar todos os dias, nem de perto nem de longe, mas que me dão prazer, que acrescentam qualquer coisa, que conversam comigo. E aqui entra muito aquela fórmula de conhecimento público: o preço de uma peça não é só o preço mas é o preço dividido pelo número de vezes que a vais usar. E isso muda tudo.
Também aproveito esta fase para comprar peças que evidenciam as tendências actuais e futuristas, mas que ainda não estão no seu exponencial máximo e que tenho facilidade em identificar. Exemplo: riscas, polos, xadrez, peças mais acinturadas, vestidos mini, azul cueca, amarelo manteiga, laranja, acessórios… Procuro muito peças na secção de Homem. É lá que encontro alguns dos melhores achados. Também procuro peças de continuidade. Aqui a dica é ver o “new” vs “saldos” ou fazer uma pequena pesquisa no Pinterest.
Outra coisa que faço muito (e recomendo mesmo): comprar fora de estação. Agora que está um frio de rachar, é super oportunidade para peças de verão: t-shirts básicas, tecidos fluidos, biquínis, vestidos leves, chinelos, sandálias. Há muito menos procura e os descontos são muito maiores.
E depois: os saldos de inverno são muito mais interessantes do que os de verão. As peças são mais caras e o desconto em valor é maior. Os saldos começam quando o inverno mal começou, por isso a probabilidade de dar imenso uso ao que se compra é gigante. E as marcas colocam muito mais artigo interessante em saldos no inverno do que no verão.
Outra nota prática: as marcas de shopping vão baixando preços todas as semanas. Literalmente. Normalmente quinta ou sexta-feira. Como diria alguém: “é muito ano a virar frangos”. Conheço bem este meio.
Já as lojas multimarca funcionam de outra forma: têm peças mais especiais, os descontos não são tão grandes porque as margens são infinitamente inferiores. É só esta a diferença, que faz muita diferença. Cuidado com os julgamentos ás lojas multimarca.
O meu canal privilegiado de compra é o online, vícios da profissão combinados com gosto de ir ás compras sozinha. Gosto de investigar e de estar na minha paz a fazer compras. No entanto, tenho de partilhar isto: em saldos, as melhores oportunidades estão na loja física. Entre trocas, devoluções e afins, há sempre algo incrível escondido e nos sítios menos frequentados.
E depois há aquele dia. Não sei explicar. Não me perguntem. Um dia em que encontro coisas incríveis que não encaixam em nada do que descrevi antes, mas que são totalmente a minha cena. E esse é sempre o meu melhor dia de saldos.
Em resumo, o meu processo é este: primeiro investimento, depois tendências, depois básicos fora de estação e, pelo meio, peças diferentes, divertidas, inesperadas, que me animam a alma, não necessariamente por esta ordem.
Se fizer sentido para vocês, siga. Se não fizer, está tudo certo também. É para isso que este espaço serve. Boas compras e mostrem-me o que já adquiriram. Temos que ser umas para as outras.
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