Desenhada para mudar

Desenhada para mudar

 A assinatura do sucesso

O que é que queres ser quando fores grande?
É uma pergunta que nos fazem desde muito cedo. Tão cedo que, em adultos, acabamos por a usar em tom de brincadeira: “quando for crescida quero ser…”.

Eu, na verdade, nunca soube.

Lembro-me de, em criança, responder sempre a mesma coisa: quero ter sucesso. Para fazer o quê? Não sei. Não faço a menor ideia. Mas quero ter sucesso. Todos se riam ou me ridicularizavam. Sentia que sucesso era sinónimo de algo negativo e sempre ligado à fama ou ao dinheiro, a ser preguiçosa. Passei a ter vergonha de o dizer. Virou um condicionamento que, ao longo dos anos, me condicionou em tanta coisa… (assunto para outro artigo).

Hoje já percebo. Mais uma chave virada.

Tenho vindo a descobrir que é no silêncio, e na minha solitude, que acontecem os meus melhores insights. Conversas absolutamente incríveis comigo própria. Discursos dignos de prémio de clarividência. O problema é que, se não escrever tudo na hora, minutos depois já tudo se varreu. A espinha dorsal fica, mas a forma como quero fazer desaparece. Por isso, tornei-me a pessoa que grava áudios para mim própria, só para não perder o tom nem a mensagem. “A tropa manda desenrascar”.

Mas o que é, afinal, sucesso?

Para mim, é a assinatura de um projector. É a nossa assinatura enquanto projectores. Quando sentimos essa sensação de sucesso, estamos alinhados com o nosso GPS interno. O quê ou o em quê ainda é secundário.

É por isso que considero o Human Design a CENA das CENAS do desenvolvimento pessoal. Para projectores, então, qualquer ferramenta de desenvolvimento pessoal é praticamente obrigatória, porque temos uma dificuldade enorme em nos vermos. E quanto mais cedo esta ferramenta for usada, melhor.

Se eu mandasse, seria obrigatória para pais, educadores de infância, professores e áreas semelhantes. É aqui que, na minha opinião, reside um dos maiores potenciais de sucesso a longo prazo: aplicar isto nas crianças, para que cresçam a saber quem são, em vez de crescerem encaixadas em modelos padronizados, cheias de rótulos e completamente avariadas à procura de identidade. Como eu. Como nós.

Hoje, o Human Design já é usado como ferramenta de excelência em recursos humanos, no momento da contratação, em muitas empresas. Em última análise, é possível construir uma empresa ou um departamento inteiro com base nesta lógica. Nutricionistas já o adotaram. Na sexualidade. Na advocacia. Em equipas comerciais. Nas escolas. Não é algo assim tão recente, mas continua a ser muito recente para o potencial que encerra. E adapta-se a tudo. A todos os estilos de vida. A todas as áreas da vida. A todas as pessoas.

E, entre curvas e contracurvas da minha cabeça, volto sempre ao mesmo ponto: o que é, afinal, ter sucesso quando for crescida?

A verdade é que já tive muitos sucessos. Já quis muitas coisas. Já quis chegar a muitos lugares. Já sonhei que, se conseguisse, tivesse ou alcançasse determinado objetivo, então sim, estaria bem. Seria para a vida.

Sempre que lá chegava, sentia o sucesso no corpo: a vibração que expande, a adrenalina da montanha-russa. E, passado algum tempo, já não era aquilo. Afinal, era outra coisa.

Já ouvi inúmeras explicações para isto: que não usufruo do caminho, que vivo na ânsia da conquista, que crio expectativas demasiado altas e que, quando alcanço, não é assim tão extraordinário. Pode ser que sim. Pode ser que não. Mas nunca fez um match de categoria SENHOOOR.

Há, no entanto, um padrão claro: quase sempre soube o que queria e fui atrás disso. O verdadeiro desafio para mim é não saber o que quero. Com isso não sei lidar. É terrorifico. Dizem os entendidos que tem a ver com controlo, com o não deixar o Universo trabalhar por mim. Pode ser que sim. Pode ser que não. Pode ser mais verdade do que eu gostaria de admitir.....

Quando o Human Design entra na equação, traz uma clareza desconcertante. Uma daquelas que faz pensar: “espera… e se afinal isto explicar mesmo muita coisa?”. E a frase que passou a repetir-se na minha cabeça foi simples: afinal, não és tola.

Talvez exista mesmo uma explicação para esta sensação constante de ser muitas pessoas e querer muitas coisas. De alcançar e, logo a seguir, querer outra coisa qualquer. Algo que acalme esta mente que tantas vezes não sabe qual é o seu lugar no mundo nem o que veio cá fazer, mas quer descobrir. A qualquer custo.

Isso gera pressão. Uma espécie de implosão mental até surgir uma resposta. E quando surge, é um êxtase breve. Passado algum tempo — sem definição própria — já não é nada daquilo.

No Human Design, isto chama-se centro G aberto. Somos cerca de 45% da população. Os outros 55% têm o centro G definido e carregam uma confiança quase inabalável sobre quem são e qual é o seu caminho. Se não te revês nisso, talvez valha a pena questionar onde aprendeste a duvidar, porque o teu GPS interno sabe exatamente como expressar a tua identidade.

E sim, eu sei: acabei de criar o Texas. Foi consciente. Podemos explorar mais isso.

Vivo muitas vezes com a sensação de que, quando conseguir isto ou aquilo, então a vida vai finalmente fazer sentido. Não vai. Cada conquista é maravilhosa, intensa, vibrante… e logo a seguir deixa de ser suficiente. Surge outra coisa. E outra. E outra.

Parece que fomos desenhados assim. E, na verdade, fomos.

Um exemplo simples ilustra bem isto. O Pedro diz-me muitas vezes: “eu nunca sei o que te oferecer”. Eu respondo que dou imensos sinais. Ao que ele remata: “Bé, tu viras o mundo para conseguires o que queres e, quando consegues… afinal já não queres. Como é que eu vou acertar?”.

É isto. É mesmo isto. Eu sou mesmo esta pessoa.

Contudo, isto não é tudo “mau”. Ter um centro aberto é maravilhoso. Todos os centros abertos são oportunidades que nos foram oferecidas. Quando aceitamos que nunca estaremos completamente satisfeitos com aquilo que alcançamos, isto deixa de ser uma falha e passa a ser um dom. Um superpoder, até.

Temos a possibilidade de experienciar muitas coisas, de mudar, de nos adaptar, de descobrir continuamente. A vida convida-nos a isso.

Por isso, não te julgues quando te sentires estranho. Estar em minoria faz-nos achar que o erro é nosso. Mas talvez sejamos apenas pessoas desenhadas para grandes mutações ao longo da vida, para querer coisas diferentes em momentos diferentes. Somos camaleónicos.

E eu vejo beleza nisso.

Eu, pelo menos, aprendi a amar isso em mim.

Just like Eli

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